segunda-feira, 26 de outubro de 2009

BIO-BIBLIOGRAFIA - LYGIA BOJUNGA


Escritora brasileira, escreveu inicialmente os seus livros sob o nome Lygia Bojunga Nunes. Nasceu em Pelotas no dia 26 de agosto de 1932 e cresceu numa fazenda. Aos oito anos de idade foi para o Rio de Janeiro onde em 1951 se tornou atriz numa companhia de teatro que viajava pelo interior do Brasil. A predominância do analfabetismo que presenciou nessas viagens levou-a a fundar uma escola para crianças pobres do interior, que dirigiu durante cinco anos. Trabalhou durante muito tempo para o rádio e a televisão, antes de debutar como escritora de livros infantis em 1972.

Num continente que se tornou conhecido por seu realismo mágico e contos fantásticos, a literatura infantil brasileira caracteriza-se por uma acentuada transgressão dos limites entre a fantasia e a realidade. Lygia Bojunga é uma escritora que perpetuou esta tradição e a tornou perfeita. Para ela, o quotidiano está repleto de magia: onde brotam os desejos tão pesados que literalmente não é possível erguê-los, onde alfinetes e guarda-chuvas conversam tão obviamente como os peões e as bolas, onde animais vivem vidas tão variadas e vulneráveis como as pessoas. Imperceptivelmente, o concreto da realidade transforma-se noutra coisa, não num outro mundo, mas num mundo dentro do mundo dos sentidos, onde a linha entre o possível é tão difusa como fácil de ultrapassar. A tristeza vive com Bojunga juntamente com o conforto, a calma alegria com a estonteante aventura e no centro da fantasia da escrita está a criança, muitas vezes sozinha e abandonada, sempre sensível, sempre cheia de fantasias. A morte não é tabu, a desilusão também não, mas além da próxima esquina, espera a cura. Numa prosa lírica e marcante, pinta as suas imagens e não importa se a solidão é muito amarga, há sempre um sorriso que expressa uma compaixão com os mais pequenos, que nunca se torna sentimental.

Os textos de Bojunga baseiam-se fortemente na perspectiva da criança. Ela observa o mundo através dos olhos brincalhões da criança. Aqui é tudo possível: os seus personagens podem fantasiar um cavalo no qual cavalgam a galope ou desenhar uma porta numa parede, que atravessam no momento seguinte. As fantasias servem geralmente para ultrapassar experiências pessoais difíceis: quando a personagem principal em Corda Bamba, 1979 usa uma corda para entrar em uma casa estranha com muitas portas fechadas, do outro lado da rua, é na prática uma forma de curar a tristeza depois de ter perdido os seus pais numa morte inesperada. Em A Casa da Madrinha, 1987 percebemos depressa que as experiências fantásticas de Alexandre durante a sua busca pela casa longínqua de sua madrinha são na realidade a concretização das fantasias de felicidade e amparo de um menino da rua abandonado. É uma história que se aproxima do conto de Astrid Lindgren Sunnanäng. A fantasia psicológica de Bojunga emerge novamente nos contos com animais: quando o tatuzinho Vítor em O Sofá Estampado, 1980 se sente nervoso, começa a tossir e arranhar o sofá – até entrar um momento mais tarde nos seus tempos de infância.

O realismo mágico e perspicácia psicológica reúnem-se a uma paixão pelo social e pela democracia. Bojunga, que começou a escrever quando ainda dominava a ditadura no Brasil, dirigia atividades subversivas. Isto torna-se mais fácil em literatura infantil porque – nas palavras de Bojunga – os generais não lêem livros destinados às crianças. Nestes livros, encontram-se galos de briga com o cérebro costurado com arame e pavões com filtros de pensamento que se removem com um saca-rolhas. Os ventos da liberdade são fortes nos livros de Bojunga, onde a crítica contra a falta de igualdade entre os sexos é um tema recorrente. Mas Bojunga nunca dá sermões, o sério é sempre equilibrado pela brincadeira e o humor absurdo. Os sonhos inflados de Raquel em A Bolsa Amarela, 1976, são literalmente perfurados por um alfinete, e transformados em pipas de papel que voam para bem distante à mercê dos ventos.

Bojunga (que costuma apresentar-se em público com monólogos dramáticos) tem o dom da narrativa oral que prende o leitor logo na primeira página. Também escreveu peças teatrais e gosta de usar descrições cênicas. Num dos seus livros, Angélica, 1975, incluiu uma peça de teatro completa. Não é sempre a história em si que é o mais importante nos seus livros, por vezes une-se um acontecimento ao outro em longas cadeias (como nas narrativas orais), onde o personagem principal poderá por vezes desaparecer do centro de atenção. A tônica está na própria narrativa, com os seus tons humorísticos e poéticos, e na sensação estranha de liberdade que brota quando tudo é possível. A forma refinada como Bojunga deixa cores expressarem emoções contribui fortemente para a extraordinária beleza dos seus livros. Esta expressão é talvez mais marcante em O Meu Amigo Pintor, 1978 (também transformado em peça teatral), que descreve como um personagem, um menino, tenta curar a sua tristeza pela morte de um pintor com a ajuda das cores. Um relógio é amarelo ao tocar as horas, para voltar a ser branco quando pára. Amarelo é a cor preferida de Bojunga, ligada à alegria da vida, tornou-se o tema predileto desde o seu primeiro livro Os Colegas, 1972.

Por vezes, Bojunga prefere ficar na realidade e mostrar então o seu olhar psicológico penetrante: Seis Vezes Lucas, 1995, descreve, como na obra anterior, Tchau, 1984, a infidelidade, conflitos matrimoniais e divórcio do ponto de vista impotente – mas esperançoso – da criança. Bojunga entra sem medo no domínio dos adultos, na sua escolha de justificativas encostando-se com todo o direito à sua enorme capacidade de concretizar e personificar as sombras interiores em histórias fáceis de entender.

Como Hans Christian Andersen, com quem se aparenta claramente, Bojunga equilibra-se com perícia na linha entre o humor e o sério. No seu mais recente livro, Retratos de Carolina, 2002, domina o sério. Esta escritora fascinada pelo experimento tenta aqui novos caminhos. Em uma narrativa que se aproxima da formas do meta-romance, permite que o leitor siga o personagem principal desde a infância até à vida adulta. Deste modo, Bojunga rompe as fronteiras da literatura infanto-juvenil e preenche assim as ambições que enuncia no texto final e no prefácio do livro: dar lugar a si própria e às personagens que criou dentro duma só casa, “uma casa que eu inventei”.

As obras de Bojunga estão traduzidas para várias línguas, entre as quais francês, alemão, espanhol, norueguês, sueco, hebraico, italiano, búlgaro, checo e islandês. Recebeu vários prêmios, entre eles, o Prêmio Jabuti (1973), o prestigiado Prêmio Hans Christian Andersen (1982) e o Prêmio da Literatura Rattenfänger (1986).

Fonte: Bio-Biografia.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Conto: "Sala de Espera"

Sala de espera de dentista. Homem dos seus quarenta anos. Mulher jovem e bonita. Ela folheia uma Cruzeiro de 1950. Ele finge que lê uma Vida dentária.

Ele pensa: que mulherão. Que pernas. Coisa rara, ver pernas hoje em dia. Anda todo mundo de jeans. Voltamos à época em que o máximo era espiar um tornozelo. Sempre fui um homem de pernas. Pernas com meias. Meias de náilon. Como eu sou antigo. Bom era o barulhinho. Suish-suish. Elas cruzavam as pernas e fazia suish-suish. Eu era doido por um suish-suish.

Ela pensa: cara engraçado. Lendo a revista de cabeça para baixo.

Ele: te arranco a roupa e te beijo toda. Começando pelo pé. Que cena. A enfermeira abre a porta e nos encontra nus sobre o carpete, eu beijando o pé. O que é isso?! Não é o que a senhora está pensando. É que entrou um cisco no olho desta moça e eu estou tentando tirar. Mas o olho é na outra ponta! Eu ia chegar lá. Eu ia chegar lá.

Ela: ele está olhando as minhas pernas por baixo da revista. Vou descruzar as pernas e cruzar de novo. Só para ele aprender.

Ele: ela descruzou e cruzou de novo! Ai meu Deus. Foi pra me matar. Ela sabe que eu estou olhando. Também, a revista está de cabeça pra baixo. E agora? Vou ter que dizer alguma coisa.

Ela: ele até que é simpático, coitado. Grisalho. Distinto. Vai dizer alguma coisa...

Ele: o que é que eu digo? Tenho que fazer alguma referência à revista virada. Não posso deixar que ela me considere um bobo. Não sou um adolescente. Finjo que examino a revista mais de perto, depois digo "Sabe que só agora me dei conta de que estava lendo essa revista de cabeça para baixo? Pensei que fosse em russo." Aí ela ri e eu digo "E essa sua Cruzeiro? Tão antiga que deve estar impressa em pergaminho, é ou não é? Deve ter desenhos infantis do Millôr." Aí riremos os dois, civilizadamente. Falaremos nas eleições e na vida em geral. Afinal, somos duas pessoas normais, reunidas por circunstância numa sala de espera. Conversaremos cordialmente. Aí eu dou um pulo e arranco toda a roupa dela.

Ela: ele vai falar ou não? É do tipo tímido. Vai dizer que tempo, né? A senhora não acha? É do tipo que pergunta "Senhora ou senhorita?" Até que seria diferente. Hoje em dia a maioria já entra rachando... Vamos variar de posição, boneca? Mas espere, nós ainda nem nos conhecemos, não fizemos amor em posição nenhuma! É que eu odeio as preliminares. Esse é diferente. Distinto. Respeitador.

Ele: digo o quê? Tem um assunto óbvio. Estamos os dois esperando a vez num dentista. Já temos alguma coisa em comum. Primeira consulta? Não, não. Sou cliente antiga. Estou no meio do tratamento. Canal? É. E o senhor? Fazendo meu check-up anual. Acho que estou com uma cárie aqui atrás. Quer ver? Com esta luz não sei se... Vamos para o meu apartamento. Lá a luz é melhor. Ou então ela diz pobrezinho, como você deve estar sofrendo. Vem aqui e encosta a cabecinha no meu ombro, vem. Eu dou um beijinho e passa. Olhe, acho que um beijo por fora não adianta. Está doendo muito. Quem sabe com a sua língua...

Ela: ele desistiu de falar. Gosto de homens tímidos. Maduros e tímidos. Ele está se abanando com a revista. Vai falar do tempo. Calor, né? Aí eu digo "É verão". E ele: "É exatamente isso! Como você é perspicaz. Estou com vontade de sair daqui e tomar um chope". "Nem me fale em chope." "Você não gosta de chope?" "Não, é que qualquer coisa gelada me dói a obturação". "Ah, então você está aqui para consultar o dentista, como eu. Que coincidência espantosa! Os dois estamos com calor e concordamos que a causa é o verão. Os dois temos o mesmo dentista. É o destino. Você é a mulher que eu esperava todos estes anos. Posso pedir sua mão em noivado?"

Ele: ela está chegando ao fim da revista. Já passou o crime do Sacopã, as fotos de discos voadores... Acabou! Olhou para mim. Tem que ser agora. Digo: "Você está aqui para limpeza de pernas? Digo, de dentes? Ou para algo mais profundo como uma paixão arrebatadora por pobre de mim?"

Ela: e se eu disser alguma coisa? Estou precisando de alguém estável na minha vida. Alguém grisalho. Esta pode ser a minha grande oportunidade. Se ele disser qualquer coisa, eu dou o bote. "Calor, né?" "Eu também te amo!"

Ele: melhor não dizer nada. Um mulherão desses. Quem sou eu? É muita perna pra mim. Se fosse uma só, mas duas! Esquece, rapaz. Pensa na tua cárie que é melhor. Claro que não faz mal dizer qualquer coisinha. Você vem sempre aqui? Gosto do Roberto Carlos? O que serão os buracos negros? Meu Deus, ela vai falar!

- O senhor podia...

- Não! Quero dizer, sim?

- Me alcançar outra revista?

- Ahn... Cigarra ou Revista dda Semana?

- Cigarra.

Aqui está.

- Obrigada.

Aí a enfermeira abre a porta e diz:

- O próximo.

E eles nunca mais se vêem.

(De: Luiz Fernando Veríssimo)

Quem é Veríssimo?!

Luiz Fernando Veríssimo - (Porto Alegre, 26 de setembro de 1936) é um escritor brasileiro. Mais conhecido por suas crônicas e textos de humor, publicados diariamente em vários jornais brasileiros, Verissimo é também cartunista e tradutor, além de roteirista de televisão, autor de teatro e romancista bissexto. Já foi publicitário e copy desk de jornal. É ainda músico, tendo tocado saxofone em alguns conjuntos. Com mais de 60 títulos publicados, é um dos mais populares escritores brasileiros contemporâneos. É filho do também escritor Érico Verissimo.

Algumas de suas obras:
Crônicas e contos (inéditos)
O Popular (1973, ed. José Olympio)
A Grande Mulher Nua (1975, ed. José Olympio)
Amor Brasileiro (1977, ed. José Olympio)
O Rei do Rock (1978, ed. Globo)
Ed Mort e Outras Histórias (1979, ed. L&PM)
Sexo na Cabeça (1980, ed L&PM)
O Analista de Bagé (1981, ed. L&PM)
A Mesa Voadora (1982, ed. Globo)

Crônicas e contos (antologias e reedições)
O Gigolô das Palavras (1982, ed. L&PM)
Comédias da Vida Privada (1994, ed. L&PM)
Novas Comédias da Vida Privada (1996, ed. L&PM)
Ed Mort, Todas as Histórias (1997, ed. L&PM)
Aquele Estranho Dia que Nunca Chega (1999, Editora Objetiva)
A Eterna Privação do Zagueiro Absoluto (1999, Editora Objetiva)
Histórias Brasileiras de Verão (1999, Editora Objetiva)
As Noivas do Grajaú (1999, ed. Mercado Aberto)

E ainda tem muito mais, pra outras informações: Luiz Fernando Veríssimo.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

The Voca People

Um grupo que trabalha com a VOZ, muito interessante para vermos as capacidades que podemos adquirir com treino, a voz do ser humano realmente é incrível e capaz de verdadeiros espetáculos.

The Voca People - Absolutamente imperdível. Conheça o "The Voca People". Um grupo teatral que mistura beat box, performance teatral, tudo sem nenhum instrumento. Apenas com a garganta.

O grupo israelense The Voca People se apresentará dia 27 no "Domingão do Faustão". Antes, o grupo fará três apresentações em Brasília, nos próximos dias 19, 20, 21. Os integrantes do The Voca People se autodenominam "Aliens do Planeta Voca" e só se comunicam por meio de expressões vocais. O grupo é campeão de acessos no Youtube.



Fontes: Dihitt, Patrícia Kogut e Youtube The Voca People.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

TRAVA LÍNGUAS - Parte II

O RATO E A ROUPA DO REI
(Hardy Guedes)


O rato roeu a roupa do rei de Roma
Que irritava o rato com roubo bem novo
Que em Roma reinava um rei roncador.

O rato com raiva do rombo do roubo do rei
Resolveu roer a roupa real
Rock rock que rock fez o roedor.

A rainha arrumando a roupa não reparou
E não reparando não remendou
A roupa do rei que o rato roeu.

E o rei no reino de Roma de roupa rasgada
Recebeu na rua só riso e risada
De quem reparou que a roupa se rompeu.

E o rato se ria do rombo redondo da roupa roída do rei.

(Será que eu errei?)

TRAVA LÍNGUAS - Parte I

"Tal tatu ta tendo tremi-traco
Troca o treco por tramóia
Com a traquina da jibóia.
E a jibóia, que não bóia sempre zóia,
Tal tatu com seu trabalho
Tal qual paca de soslaio".

Vociferando

Mais um post sobre VOZ, nessa sexta-feira pela manhã eu e Maiara conversando pelo MSN recordamos os trava-linguas que já conhecemos dos encontros de sábado e nisso inciei uma pesquisa na internet sobre estes, até que achei um link muito legal, vou disponibilizar um trecho do que achei nesse link e deixo o endereço abaixo pra quem se interessar beleza?!?!?

"Cada indivíduo tem suas próprias características vocais. Entenda como estabelecer uma relação mais íntima entre a voz e o ator. É comum pensar separadamente sobre as ações corporais e verbais que o ator irá desenvolver para um determinado espetáculo. Quando se trabalha o corpo, uma série de exercícios e laboratórios são utilizados para a construção da personagem. Com a voz, no entanto, essa tarefa costuma resumir-se apenas a um trabalho de aquecimento. É claro que esses exercícios de empostação, dicção e aquecimento são imprescindíveis para a articulação do ator e preservação de sua voz".

"A rouquidão pode acontecer quando ocorre uma empostação inadequada ou há pouca lubrificação da garganta e das cordas vocais. Se você sente algum desses sintomas(rouquidão, falta de ar, incômodo na garganta) consulte um otorrinolaringologista ou um fonoaudiologista para iniciar o trabalho de aperfeiçoamento da voz. Os limites da sua voz são facilmente percebidos quando se sente alguma dificuldade. Portanto, pratique e conheça si mesmo".

Aquecimento e Empostação:
1) Beba um copo d'água e aguarde alguns minutos para começar.
2) Com a boca fechada, faça um bico e sorria, alternando esses dois movimentos por 30 segundos.
3) deslize a língua por toda a boca, sobre os dentes e a gengiva, provocando bastante salivação.
4) Com a boca fechada e os lábios relaxados, inspire e solte todo o ar lentamente, de modo que os lábios vibrem e soltem um som parecido com "PPPP" (repita várias vezes).
5) Com a boca fechada e a lígua sobre o céu da boca, solte o ar lentamente, de modo que se produza um som parecido com "Trrrrr" (repita várias vezes).

Dicção:
1) Após aquecimento, leia algum texto pausadamente, em voz alta.
2) Leia o mesmo texto, apenas articulando as palavras, sem emitir som.
3) Leia o mesmo texto com uma caneta na boca, como se a estivesse mordendo.
4) Leia o texto novamente, em voz alta. Perceba a diferença

Alguns cuidados com a voz:
1 - Evite fumar (qualquer coisa) ou inalar drogas - causam irritação nas pregas vocais.
2 - Evite café, mate e bebidas gasosas antes de exposições vocais prolongadas - provocam ressecamento das pregas vocais.
3 - Ingira bastante água em temperatura ambiente - propicia maior hidratação das pregas vocais.
4 - Chocolates, amendoim e pipoca aumentam a secreção de muco, provocando pigarros - evite comê-los antes de exposições orais.
5 - A maçã tem ação adstringente e auxilia na limpeza da boca e faringe - favorece uma boa emissão vocal.

Muitas outras dicas bem legais no site: O Palco.
Uma abençoada sexta-feira, ótimo final de semana!

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

A importância da voz.

Pra encerrar nossa sexta-feira ainda falando de voz, alguns trechos de uma matéria bem legal com a atriz Denise Weinberg, sobre a importância da voz.

"A fono é importantíssima no trabalho do ator. Normalmente nós temos vícios e maneiras de falar adquiridas na vida durante a nossa infância, na nossa educação, que ficam impressos na nossa prosódia. Nós não temos consciência deles, então o trabalho da fono é limpar essas áreas complicadas, melhorar o corpo e o tônus da voz, trabalhar a projeção, enfim tudo que é necessário para que o aparelho vocal do ator sirva como um instrumento perfeito para sua expressão".

"Eu acho que existe um "gap" entre corpo e voz. Muitas vezes o ator está falando uma coisa e o corpo outra. Primeiro temos que colocar os dois na mesma sintonia, para depois podermos até separá-los".

"Penso que os jovens atores têm que ter essa preocupação na emissão, na compreensão, na projeção e só com ajuda de um profissional (fono) é que esse processo pode ser desenvolvido, mas tem que ser desenvolvido durante uma vida inteira". (Denise Weinberg - atriz)

Matéria completa no site: Voz e Fala.

Bom final de semana pra todos!

Dicas e cuidados

O livro "Voz Ativa - Falando Sobre o Profissional da Voz", "traz o mais completo estudo sobre os cuidados que os profissionais devem tomar com a voz". Vejam por exemplo, algumas das situações que devem ser evitadas.

Evite:

Fumo e bebidas alcoólicas;
Uso de pastilhas (mascaram a dor, anestesiando a garganta);
Uso de roupas muito apertadas (prejudicam a respiração, comprimindo o diafragma);
Consumo de bebidas geladas (causam choque térmico);
Mudanças bruscas de temperatura (causam choque térmico);
Falar em ambientes muito ruidosos;
Falar por períodos muito longos;
Emitir sons excessivamente agudos ou graves;
Alimentar-se demais (o estômago pode prejudicar o diafragma na respiração);
Ambientes com ar condicionado (resseca as vias respiratórias);
Ingestão de chocolate (aumenta secreção de muco, produzindo pigarro);
Pigarrear e tossir;
Praticar exercícios falando;
Gritos e riso em alta intensidade.

Estudos sobre a Voz


Alguns trechos de estudos que encontrei sobre um dos nossos estudos do semestre, a extenção do corpo: A VOZ!

"A voz humana é produzida pela vibração do ar que é expulso dos pulmões pelo diafragma e que passa pelas pregas vocais e é modificado pela boca, lábios e a língua".

Voz na Arte: Uma Contribuição para o Estudo da Voz Falada no Teatro

"O ator é o profissional que transmite ao outro a obra escrita. É, grosso modo, um co-autor, pois consegue dar vida a personagens retirados de textos escritos. Assim, o texto imprimido, composto por um grande número de letras, vocábulos e frases, transforma-se em um continuum sonoro, enriquecido por uma interpretação rica de nuanças, conteúdo emocional, veracidade, entre outras características".

"A voz é o instrumento do ator. O timbre vocal (sua qualidade natural) se enriquece com o aproveitamento de todo o seu potencial: ressonância, articulação, pronúncia e dinâmica vocal".

"O primeiro som que surge na glote[3] assemelha-se a um "cochicho", ganhando corpo sonoro à medida que alcança as cavidades de ressonância, que funcionam como verdadeiros amplificadores. Ocorre que, muitas vezes, estas cavidades são mal aproveitadas, tornando empobrecido o " timbre" vocal".

"A articulação é importante para a produção da fala. A voz articulada produz sons lingüísticos, sílabas, palavras e sentenças que serão utilizados na elaboração e na transmissão do pensamento. A fala fica normalmente prejudicada quando a ponta, o dorso e a raíz da língua localizam-se em um ponto que não corresponde ao som do fonema desejado".

Pra quem quiser ler mais: Voz Humana e Voz na Arte.