" O invisivel esconde se no visivel "
Paracelso
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segunda-feira, 18 de maio de 2009
Grupo de dança mistura dança, humor e acrobacia
Pilobolus vai se apresentar em seis cidades do Brasil.
"Eles são apenas sete. Um grupo dos Estados Unidos, que existe há quase 40 anos, misturam várias formas de dança com acrobacia, humor, mímica, efeitos especiais. Podem até dançar deitados. Este é o Pilobolus, que vai se apresentar cinco peças em seis cidades do Brasil. Quando estão no palco apenas para um aquecimento, parece que tudo é apenas uma brincadeira. Por exemplo: o que se pode fazer com cadeiras, além de sentar, claro! Não para o Pilobolus. Quando é pra valer, as cadeiras viram outras coisas. Por causa do prestígio da companhia, quando anunciaram uma seleção pra três vagas, apareceram mais de 400 candidatos".
Matéria completa no site: Fantástico.
Assisti este vídeo no programa Fantástico ontem (17/05/09) e achei muito legal, é um grupo de dança, mas achei pertinente divulgar o trabalho corporal que eles fazem porque em muito se adequa ao nosso trabalho teatral. O corpo é realmente fascinante. E ver os estímulos, por mais que sejam simples, como é uma cadeira, se transformando em verdadeiros espetáculos.
Adorei!
"Eles são apenas sete. Um grupo dos Estados Unidos, que existe há quase 40 anos, misturam várias formas de dança com acrobacia, humor, mímica, efeitos especiais. Podem até dançar deitados. Este é o Pilobolus, que vai se apresentar cinco peças em seis cidades do Brasil. Quando estão no palco apenas para um aquecimento, parece que tudo é apenas uma brincadeira. Por exemplo: o que se pode fazer com cadeiras, além de sentar, claro! Não para o Pilobolus. Quando é pra valer, as cadeiras viram outras coisas. Por causa do prestígio da companhia, quando anunciaram uma seleção pra três vagas, apareceram mais de 400 candidatos".
Matéria completa no site: Fantástico.
Assisti este vídeo no programa Fantástico ontem (17/05/09) e achei muito legal, é um grupo de dança, mas achei pertinente divulgar o trabalho corporal que eles fazem porque em muito se adequa ao nosso trabalho teatral. O corpo é realmente fascinante. E ver os estímulos, por mais que sejam simples, como é uma cadeira, se transformando em verdadeiros espetáculos.
Adorei!
terça-feira, 28 de abril de 2009
A junção desses elementos: surge o ator
domingo, 26 de abril de 2009
O Menino
A última parte do texto de Corrêa.
Recado aos jovens da CAL*
Rubens Corrêa

O MENINO
A recuperação da liberdade da infância através da vida adulta foi sempre uma das minhas metas; a criança é uma fonte incrível de informação artística - e a criança que nós fomos recuperada através do nosso lado lúdico tão atrofiado pelo correr dos anos – pode nos servir de guia, mas um guia muito especial, que caminha alegre e despreocupado, que sabe descobrir o mágico dentro do cotidiano, intuitivamente
Um grande exemplo da presença do menino dentro de um artista está na figura e na obra do pintor Pablo Picasso. "Eu não procuro, eu acho" afirmava o grande pintor. E essa fala denuncia o menino que Picasso levava dentro de si, que pintava cerâmica usando como base para o desenho a espinha do peixe que tinha comido no almoço, ou fazia fantástica escultura aproveitando uma roda velha e quebrada de uma bicicleta encontrada na estrada durante seu passeio matinal. O menino traz alegria e descompromisso racional para o trabalho artístico. No Passeio Público do Rio de Janeiro tem um menino-anjo esculpido num bebedouro (se não me engano de Mestre Valentim) com a seguinte legenda: "Sou útil, inda brincando". Essa é a lei e a sabedoria dos meninos.
Acho que preservando o cálice, domando o cavalo, estimulando o fogo e soltando o menino, o artista está preparado para viver e criar uma vida bela e uma obra útil para a coletividade.
* Aula inaugural da Cal (Casa das Artes de Laranjeiras) – Rio de Janeiro (RJ), em 12 de março de 1984. Reproduzida de uma apostila do autor.
Recado aos jovens da CAL*
Rubens Corrêa

O MENINO
A recuperação da liberdade da infância através da vida adulta foi sempre uma das minhas metas; a criança é uma fonte incrível de informação artística - e a criança que nós fomos recuperada através do nosso lado lúdico tão atrofiado pelo correr dos anos – pode nos servir de guia, mas um guia muito especial, que caminha alegre e despreocupado, que sabe descobrir o mágico dentro do cotidiano, intuitivamente
Um grande exemplo da presença do menino dentro de um artista está na figura e na obra do pintor Pablo Picasso. "Eu não procuro, eu acho" afirmava o grande pintor. E essa fala denuncia o menino que Picasso levava dentro de si, que pintava cerâmica usando como base para o desenho a espinha do peixe que tinha comido no almoço, ou fazia fantástica escultura aproveitando uma roda velha e quebrada de uma bicicleta encontrada na estrada durante seu passeio matinal. O menino traz alegria e descompromisso racional para o trabalho artístico. No Passeio Público do Rio de Janeiro tem um menino-anjo esculpido num bebedouro (se não me engano de Mestre Valentim) com a seguinte legenda: "Sou útil, inda brincando". Essa é a lei e a sabedoria dos meninos.
Acho que preservando o cálice, domando o cavalo, estimulando o fogo e soltando o menino, o artista está preparado para viver e criar uma vida bela e uma obra útil para a coletividade.
* Aula inaugural da Cal (Casa das Artes de Laranjeiras) – Rio de Janeiro (RJ), em 12 de março de 1984. Reproduzida de uma apostila do autor.
domingo, 19 de abril de 2009
Não foi Prometido, mas veio Prometeu.
Prometeu representa a vontade humana por conhecimento, sua captura do fogo é a audácia humana pela busca de conhecimento e de compartilhá-lo.A Prometeu teve um grande desafio junto ao seu irmão, porém fez uma audaciosa ação, roubou o fogo que assegurou a superioridade dos homens sobre os outros animais. Todavia o fogo era exclusivo dos deuses. Teve um castigo severo de Zeus, castigo este que devia durar 30.000 anos.
A história foi teatralizada pela primeira vez por Ésquilo no século V - a.C. com o título de "Prometeus desmotes" (Prometeu Agrilhoado/Acorrentado).
Vamos instigar nossos questionamentos, quem era irmão de Prometeu? Qual o seu desafio? Que castigo foi este?!?!
Quem souber compartilhe, quem não souber me avise, vamos pesquisar juntos!
Ah não se esqueçam da provocação: "O verbo se faz carne".
Até mais!
Hamlet X Macbeth
Um encontro de monstros... da literatura mundial. Esses personagens são de extrema importância para quem estuda teatro, por toda sua complexa construção e claro por serem das obras de um dos maiores dramaturgos de todo o mundo (William Shakespeare).
Importante para discussão e estudos teatrais, abro espaço então para uma breve introdução de suas características centrais e uma sinopse de suas histórias. Fiquem a vontade para levantar qualquer que seja o apontamento sobre estes.
Hamlet - O protagonista desta obra é o Príncipe Hamlet, filho do Rei Hamlet e sobrinho do Rei Cláudio, irmão e sucessor de seu pai. Após a morte do Rei Hamlet, Cláudio casa-se apressadamente com a então viúva Gertrudes, mãe do príncipe. Num plano de fundo, a Dinamarca está em disputa com a vizinha Noruega, e existe a expectativa de uma suposta invasão liderada pelo príncipe norueguês Fórtinbras. A obra reconta a história de como o Príncipe Hamlet tenta vingar a morte de seu pai Hamlet, o rei, executando seu tio Cláudio, que o envenenou e em seguida tomou o trono casando-se com a mãe de Hamlet. A peça traça um mapa do curso de vida na loucura real e na loucura fingida — do sofrimento opressivo à raiva fervorosa — e explora temas como a traição, vingança, incesto, corrupção e moralidade.
Macbeth - Macbeth e Banquo, ambos generais do exército do Rei Duncan, encon
tram um grupo de feiticeiras. Macbeth é saudado profeticamente como Guerreiro de Cawdor e Rei da Escócia ,e Banquo, como pai de um futuro rei. Um servo traz a mensagem de que "Sir de Cawdor" fora enforcado e que todas suas terras e título passam a Macbeth. No castelo, a ambiciosa Lady Macbeth lê com satisfação a carta de Macbeth relatando o ocorrido. O Rei Duncan passará a noite no castelo, e esta é a oportunidade que queria Lady Macbeth, persuadindo o marido a matar o Rei. Macbeth comete o crime, torna-se rei, mas vive inquieto com sua consciência e também com a profecia das feiticeiras, de que um filho de Banquo - e não seu - será rei. Ele e sua mulher planejam assassiná-lo. Um bando de assassinos mata Banquo, mas seu filho Fleance escapa.
Pra terminar, pode até parecer desnecessário citar quem foi o criador dessas duas obras, mas aqui o faço por uma questão de conhecimento e lembranças. William Shakespeare foi um dramaturgo e poeta inglês e um dos mais influentes no mundo ocidental. Suas obras que permaneceram ao longo dos tempos consistem de 38 peças teatrais, 154 sonetos, dois poemas de narrativa longa, e várias outras poesias. Suas obras são mais atualizadas do que as de qualquer outro dramaturgo. Muitos de seus textos e temas, especialmente os do teatro, permaneceram vivos até aos nossos dias, sendo revisitados com freqüência pelo teatro, televisão, cinema e literatura. Entre suas obras é impossível não ressaltar Romeu e Julieta, que se tornou a história de amor por excelência e Hamlet, que possui uma das frases mais conhecidas da língua inglesa: To be or not to be: that's the question (Ser ou não ser, eis a questão).
Vamos lembrar que o conhecimento nos leva além, vamos alimentar a alma com a arte e a mente com nossos estudos!
Ótimo domingo!
Ótima semana!
Importante para discussão e estudos teatrais, abro espaço então para uma breve introdução de suas características centrais e uma sinopse de suas histórias. Fiquem a vontade para levantar qualquer que seja o apontamento sobre estes.
Hamlet - O protagonista desta obra é o Príncipe Hamlet, filho do Rei Hamlet e sobrinho do Rei Cláudio, irmão e sucessor de seu pai. Após a morte do Rei Hamlet, Cláudio casa-se apressadamente com a então viúva Gertrudes, mãe do príncipe. Num plano de fundo, a Dinamarca está em disputa com a vizinha Noruega, e existe a expectativa de uma suposta invasão liderada pelo príncipe norueguês Fórtinbras. A obra reconta a história de como o Príncipe Hamlet tenta vingar a morte de seu pai Hamlet, o rei, executando seu tio Cláudio, que o envenenou e em seguida tomou o trono casando-se com a mãe de Hamlet. A peça traça um mapa do curso de vida na loucura real e na loucura fingida — do sofrimento opressivo à raiva fervorosa — e explora temas como a traição, vingança, incesto, corrupção e moralidade.Macbeth - Macbeth e Banquo, ambos generais do exército do Rei Duncan, encon
tram um grupo de feiticeiras. Macbeth é saudado profeticamente como Guerreiro de Cawdor e Rei da Escócia ,e Banquo, como pai de um futuro rei. Um servo traz a mensagem de que "Sir de Cawdor" fora enforcado e que todas suas terras e título passam a Macbeth. No castelo, a ambiciosa Lady Macbeth lê com satisfação a carta de Macbeth relatando o ocorrido. O Rei Duncan passará a noite no castelo, e esta é a oportunidade que queria Lady Macbeth, persuadindo o marido a matar o Rei. Macbeth comete o crime, torna-se rei, mas vive inquieto com sua consciência e também com a profecia das feiticeiras, de que um filho de Banquo - e não seu - será rei. Ele e sua mulher planejam assassiná-lo. Um bando de assassinos mata Banquo, mas seu filho Fleance escapa.
Pra terminar, pode até parecer desnecessário citar quem foi o criador dessas duas obras, mas aqui o faço por uma questão de conhecimento e lembranças. William Shakespeare foi um dramaturgo e poeta inglês e um dos mais influentes no mundo ocidental. Suas obras que permaneceram ao longo dos tempos consistem de 38 peças teatrais, 154 sonetos, dois poemas de narrativa longa, e várias outras poesias. Suas obras são mais atualizadas do que as de qualquer outro dramaturgo. Muitos de seus textos e temas, especialmente os do teatro, permaneceram vivos até aos nossos dias, sendo revisitados com freqüência pelo teatro, televisão, cinema e literatura. Entre suas obras é impossível não ressaltar Romeu e Julieta, que se tornou a história de amor por excelência e Hamlet, que possui uma das frases mais conhecidas da língua inglesa: To be or not to be: that's the question (Ser ou não ser, eis a questão).Vamos lembrar que o conhecimento nos leva além, vamos alimentar a alma com a arte e a mente com nossos estudos!
Ótimo domingo!
Ótima semana!
Provocação!
"O verbo se faz carne!"
Provocação que o Otávio nos fez, vamos colocar em discussão, e como o Otávio sempre diz "não existe certo, nem errado", vamos arriscar, opiniar, interagir e conhecer diferentes visões e pensamentos! É errando que aprendemos.
Bom Domingo!
Bom Feriado!
Até mais!
Provocação que o Otávio nos fez, vamos colocar em discussão, e como o Otávio sempre diz "não existe certo, nem errado", vamos arriscar, opiniar, interagir e conhecer diferentes visões e pensamentos! É errando que aprendemos.
Bom Domingo!
Bom Feriado!
Até mais!
O Fogo
Mais uma parte do texto de Corrêa.
Recado aos jovens da CAL*
Rubens Corrêa

O FOGO
O fogo através do tempo sempre foi o símbolo vivo da fé, do entusiasmo e da rebeldia; mantê-lo aceso dentro de nós é também um trabalho para a vida inteira. O fogo nasce de um estado de curiosidade natural e instintivo e pode ser desenvolvido através da conquista progressiva de uma cultura geral, de uma observação apaixonada da história do homem, da história de todas as artes, da emocionante história do teatro – e um profundo sentimento de observação do ser humano – aqueles para quem realizaremos nossas mágicas, o nosso público. Esse fogo interno, uma espécie de grande rol central de energia e fé, é uma grande defesa contra a acomodação, e me parece ser a grande mola propulsora da criatividade; devemos estar sempre atentos aos seus chamados, e é preciso não deixar nunca, custe o que custar, esse fogo esmorecer, porque, caso isso aconteça, seremos os artífices de uma arte morta, sonâmbula, inútil, feia e resignada.
Recado aos jovens da CAL*
Rubens Corrêa
O FOGO
O fogo através do tempo sempre foi o símbolo vivo da fé, do entusiasmo e da rebeldia; mantê-lo aceso dentro de nós é também um trabalho para a vida inteira. O fogo nasce de um estado de curiosidade natural e instintivo e pode ser desenvolvido através da conquista progressiva de uma cultura geral, de uma observação apaixonada da história do homem, da história de todas as artes, da emocionante história do teatro – e um profundo sentimento de observação do ser humano – aqueles para quem realizaremos nossas mágicas, o nosso público. Esse fogo interno, uma espécie de grande rol central de energia e fé, é uma grande defesa contra a acomodação, e me parece ser a grande mola propulsora da criatividade; devemos estar sempre atentos aos seus chamados, e é preciso não deixar nunca, custe o que custar, esse fogo esmorecer, porque, caso isso aconteça, seremos os artífices de uma arte morta, sonâmbula, inútil, feia e resignada.
*Aula inaugural da Cal (Casa das Artes de Laranjeiras) – Rio de Janeiro (RJ), em 12 de março de 1984. Reproduzida de uma apostila do autor.
quarta-feira, 15 de abril de 2009
Informativo Cultural!
Dicas da Gisele:
- No site da Prefeitura de Americana (http://www.americana.sp.gov.br/) está sendo disponibilizado para cadastramento o e-mail de quem se interessar em receber a agenda cultural de Americana (agendacultural@americana.sp.gov.br).
- No site da prefeitura tbm está tendo um cadastramento de artista (várias categorias: ator, fotográfo, etc), mesmo que os aprendizes e amadores.
- Está acontecendo a Viagem Cultural do SESI, onde várias peças passam por várias cidades e normalmente a mais próxima para nós é Piracicaba, onde poderíamos até tentar nos organizar como te falei em “caravanas” para ir assistir. A entrada é gratuita e muitas vezes eles trazem propostas diferentes de cenário, figurino, maquiagem, direção, iluminação e etc...
Esse link tem o cronograma de Piracicaba.
http://www.indicapira.com.br/padrao.aspx?texto.aspx?idcontent=3151&idContentSection=1843
Bom é isso!
Ótima semana a todos!
- No site da Prefeitura de Americana (http://www.americana.sp.gov.br/) está sendo disponibilizado para cadastramento o e-mail de quem se interessar em receber a agenda cultural de Americana (agendacultural@americana.sp.gov.br).
- No site da prefeitura tbm está tendo um cadastramento de artista (várias categorias: ator, fotográfo, etc), mesmo que os aprendizes e amadores.
- Está acontecendo a Viagem Cultural do SESI, onde várias peças passam por várias cidades e normalmente a mais próxima para nós é Piracicaba, onde poderíamos até tentar nos organizar como te falei em “caravanas” para ir assistir. A entrada é gratuita e muitas vezes eles trazem propostas diferentes de cenário, figurino, maquiagem, direção, iluminação e etc...
Esse link tem o cronograma de Piracicaba.
http://www.indicapira.com.br/padrao.aspx?texto.aspx?idcontent=3151&idContentSection=1843
Bom é isso!
Ótima semana a todos!
segunda-feira, 13 de abril de 2009
Texto de Rubens Corrêa
Uma primeira parte de um texto trabalhado nos encontros.
Recado aos jovens da CAL*
Rubens Corrêa
Fui convidado para conversar com vocês sobre o ator; sei que muitos aqui jamais representaram, e outros deram apenas os primeiros passos neste caminho labiríntico que é o mundo da interpretação. É uma tarefa que exige de mim sensibilidade e coragem; acho uma grande responsabilidade falar aos jovens, e é com muita emoção e prazer que passo adiante as humildes sementes do meu trabalho artístico, com a esperança de que alguma utilidade possa ser encontrada nelas e que de alguma maneira elas possam lhes tornar a caminhada menos solitária e mais solidária, na medida em que esta receita muito pessoal provoque dúvidas e reconsiderações, ou toque o sagrado dentro de cada um de vocês, ou reacenda aquela esperança cega que Prometeu garantiu ser a conquista mais urgente para a sobrevivência do homem neste planeta.
O grande poeta e dramaturgo alemão Büchner escreveu numa cena de sua peça "Woyseck": "Cada ser humano é um abismo e a gente tem vertigens quando se debruça sobre um deles."
Acho que nós atores somos duplamente esse abismo-espelho: como seres humanos e como artistas. Nossa missão é provocar vertigem e o revisionamento do abismo dentro de cada espectador, para que depois de cada mergulho em nossos personagens-propostas essas pessoas pensem, se emocionem, compreendam e amem com nova e maior intensidade.
Eu, Rubens Corrêa, ator e artista de teatro, vinte e oito anos de profissão, e séculos e mais séculos de um longo período não sei onde, ofereço a vocês com apaixonada humildade o meu aprendizado nesta caminhada em cima das brasas sem se queimar que é a condição necessária para poder representar e viver com algum significado neste nosso bizarro país sul-americano.(...)
O CÁLICE
Representar para mim é a possibilidade que me foi dada de me comunic
ar com o meu semelhante através de uma troca de idéias, imagens, palavras, gestos e emoções. Um divertido, fascinante, e muitas vezes cruel jogo que mistura ficção e realidade, consciente e inconsciente, sagrado e profano, amor e ódio, vida e morte. Uma Paixão.
Através dos anos venho elaborando em cima das tábuas o meu trabalho, tentando sempre o difícil equilíbrio entre as conquistas técnicas e a simplicidade da execução. Aqueles instantes, todas as noites, em que represento um papel, são sempre os melhores momentos do meu dia.
Isso quer dizer que levo para o palco meus sentimentos, minha idéia, minhas alegrias, meus abismos, meu horror e minha luz. Diariamente filtro essas emoções através das necessidades de cada personagem, e recebo de volta para mim mesmo uma nova compreensão de meus problemas - e acrescento ao personagem um novo enriquecimento conseguido "à quente", quer dizer, arrancado de dentro de mim mesmo.
Com o correr dos anos fui aprendendo a me observar como artista e ser humano, e fui tentando aproveitar em meus desenhos interpretativos a linguagem interior de minha vivência pessoal, para conseguir assim essa difícil união entre arte e vida, que foi sempre a minha grande aspiração.
Sempre acreditei que cada ator traz consigo um material fantástico, inimitável e único, muito difícil de ser conservado e desenvolvido nesta nossa era brutalizada e massificada.
É um cálice de cristal interior, que deve ser preservado e defendido através de muitos terremotos, muita contrariedade, muita decepção e sensação de abandono, mas com momentos também de enorme luminosidade que quando acontecem recompensam o artista e engrandecem o ser humano.
Cada ator é único e inimitável se ele mergulha com honestidade em si mesmo, e retrata o seu semelhante com generosidade, verdade e paixão. "Somos feitos da essência com que os sonhos são feitos" escreveu Shakespeare, e essa é a melhor definição que conheço sobre o mistério da representação.
O CAVALO
Cada ator tem obrigação de zelar e desenvolver o seu instrumental – sua voz, seu corpo: seu cavalo. Devemos transformar nosso corpo num grande arquivo de imagens com possibilidades de serem utilizadas em nossos futuros personagens; nossa voz deve poder miar, rugir, gemer, uivar – nossas mãos podem ser galhos de árvores, garras de feras, folhas secas ao vento – nossos pés, colunas de um templo, patas de animais. Nossos olhos devem poder reproduzir o enigma do olhar da esfinge, e a clareza cristalina de um poema de Brecht.
E mais, devemos nos preparar para poder receber com artística mediunidade a alma do mundo, as grandes interrogações do nosso tempo, a voracidade deste universo em constante transformação.
Devemos ser suficientemente fortes para poder reproduzir simultaneamente a maravilha e o horror do ser humano, a criatividade e a autodestrutividade de nós todos, homens, através desta difícil caminhada da vida.
O nosso cavalo deve então se preparar para poder assumir todas estas formas, e por isso ele tem de ser constantemente reabastecido e renovado.
O cavalo é também o estimulador de nossa energia, o conservador de nosso entusiasmo e de nossa fé; quando as crises vierem (e não tenham dúvida de que elas virão), nada melhor do que trabalhar na fortificação do cavalo, porque no mínimo estaremos crescendo durante a crise, estaremos trabalhando e temperando novas energias, adquirindo novas técnicas, novos conhecimentos. Podem ter certeza de que um bom cavalo torna o ator indestrutível.
*Aula inaugural da Cal (Casa das Artes de Laranjeiras) – Rio de Janeiro (RJ), em 12 de março de 1984. Reproduzida de uma apostila do autor.
Recado aos jovens da CAL*
Rubens Corrêa
Fui convidado para conversar com vocês sobre o ator; sei que muitos aqui jamais representaram, e outros deram apenas os primeiros passos neste caminho labiríntico que é o mundo da interpretação. É uma tarefa que exige de mim sensibilidade e coragem; acho uma grande responsabilidade falar aos jovens, e é com muita emoção e prazer que passo adiante as humildes sementes do meu trabalho artístico, com a esperança de que alguma utilidade possa ser encontrada nelas e que de alguma maneira elas possam lhes tornar a caminhada menos solitária e mais solidária, na medida em que esta receita muito pessoal provoque dúvidas e reconsiderações, ou toque o sagrado dentro de cada um de vocês, ou reacenda aquela esperança cega que Prometeu garantiu ser a conquista mais urgente para a sobrevivência do homem neste planeta.
O grande poeta e dramaturgo alemão Büchner escreveu numa cena de sua peça "Woyseck": "Cada ser humano é um abismo e a gente tem vertigens quando se debruça sobre um deles."
Acho que nós atores somos duplamente esse abismo-espelho: como seres humanos e como artistas. Nossa missão é provocar vertigem e o revisionamento do abismo dentro de cada espectador, para que depois de cada mergulho em nossos personagens-propostas essas pessoas pensem, se emocionem, compreendam e amem com nova e maior intensidade.
Eu, Rubens Corrêa, ator e artista de teatro, vinte e oito anos de profissão, e séculos e mais séculos de um longo período não sei onde, ofereço a vocês com apaixonada humildade o meu aprendizado nesta caminhada em cima das brasas sem se queimar que é a condição necessária para poder representar e viver com algum significado neste nosso bizarro país sul-americano.(...)
O CÁLICE
Representar para mim é a possibilidade que me foi dada de me comunic
ar com o meu semelhante através de uma troca de idéias, imagens, palavras, gestos e emoções. Um divertido, fascinante, e muitas vezes cruel jogo que mistura ficção e realidade, consciente e inconsciente, sagrado e profano, amor e ódio, vida e morte. Uma Paixão.Através dos anos venho elaborando em cima das tábuas o meu trabalho, tentando sempre o difícil equilíbrio entre as conquistas técnicas e a simplicidade da execução. Aqueles instantes, todas as noites, em que represento um papel, são sempre os melhores momentos do meu dia.
Isso quer dizer que levo para o palco meus sentimentos, minha idéia, minhas alegrias, meus abismos, meu horror e minha luz. Diariamente filtro essas emoções através das necessidades de cada personagem, e recebo de volta para mim mesmo uma nova compreensão de meus problemas - e acrescento ao personagem um novo enriquecimento conseguido "à quente", quer dizer, arrancado de dentro de mim mesmo.
Com o correr dos anos fui aprendendo a me observar como artista e ser humano, e fui tentando aproveitar em meus desenhos interpretativos a linguagem interior de minha vivência pessoal, para conseguir assim essa difícil união entre arte e vida, que foi sempre a minha grande aspiração.
Sempre acreditei que cada ator traz consigo um material fantástico, inimitável e único, muito difícil de ser conservado e desenvolvido nesta nossa era brutalizada e massificada.
É um cálice de cristal interior, que deve ser preservado e defendido através de muitos terremotos, muita contrariedade, muita decepção e sensação de abandono, mas com momentos também de enorme luminosidade que quando acontecem recompensam o artista e engrandecem o ser humano.
Cada ator é único e inimitável se ele mergulha com honestidade em si mesmo, e retrata o seu semelhante com generosidade, verdade e paixão. "Somos feitos da essência com que os sonhos são feitos" escreveu Shakespeare, e essa é a melhor definição que conheço sobre o mistério da representação.
O CAVALO
Cada ator tem obrigação de zelar e desenvolver o seu instrumental – sua voz, seu corpo: seu cavalo. Devemos transformar nosso corpo num grande arquivo de imagens com possibilidades de serem utilizadas em nossos futuros personagens; nossa voz deve poder miar, rugir, gemer, uivar – nossas mãos podem ser galhos de árvores, garras de feras, folhas secas ao vento – nossos pés, colunas de um templo, patas de animais. Nossos olhos devem poder reproduzir o enigma do olhar da esfinge, e a clareza cristalina de um poema de Brecht.E mais, devemos nos preparar para poder receber com artística mediunidade a alma do mundo, as grandes interrogações do nosso tempo, a voracidade deste universo em constante transformação.
Devemos ser suficientemente fortes para poder reproduzir simultaneamente a maravilha e o horror do ser humano, a criatividade e a autodestrutividade de nós todos, homens, através desta difícil caminhada da vida.
O nosso cavalo deve então se preparar para poder assumir todas estas formas, e por isso ele tem de ser constantemente reabastecido e renovado.
O cavalo é também o estimulador de nossa energia, o conservador de nosso entusiasmo e de nossa fé; quando as crises vierem (e não tenham dúvida de que elas virão), nada melhor do que trabalhar na fortificação do cavalo, porque no mínimo estaremos crescendo durante a crise, estaremos trabalhando e temperando novas energias, adquirindo novas técnicas, novos conhecimentos. Podem ter certeza de que um bom cavalo torna o ator indestrutível.
*Aula inaugural da Cal (Casa das Artes de Laranjeiras) – Rio de Janeiro (RJ), em 12 de março de 1984. Reproduzida de uma apostila do autor.
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